Pedidos de crédito do setor automobilístico ao BNDES batem recorde.
A estabilidade do mercado interno, a redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) e o aumento de crédito ao consumidor aumentaram o otimismo das montadoras nacionais, levando o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) a registrar recordes no número de pedidos de crédito para investimentos no setor.
A GM é uma das empresas que entraram com solicitação junto ao banco, confirmando o seu plano, feito após a matriz entrar em concordata no início do mês, de investir US$ 1,5 bilhão (cerca de R$ 2,9 bilhões) no mercado nacional até 2012.
Diante do otimismo das montadoras de janeiro a abril, a indústria automobilística requisitou R$ 3,4 bilhões para investir em produção, ante R$ 1,6 bilhão em igual período em 2008, um aumento de 106% , o BNDES tenta evitar que a situação adversa das matrizes influencie no seu julgamento da capacidade das montadoras em cumprir os acordos.
Porém, Luciano Coutinho, presidente do BNDES, revela ser inevitável levar em consideração a saúde financeira das matrizes. Contudo, Coutinho afirma que a prioridade é justamente conceder o crédito às subsidiárias que, no momento, não podem mais contar com o mesmo apoio externo de antes. A liberação dos empréstimos leva cerca de nove meses.
Segundo o BNDES, o ritmo dos pedidos das montadoras se assemelha ao de 2007 e surpreende pelo fato de ocorrer em meio à crise e no primeiro semestre normalmente as consultas ao banco ocorrem na segunda metade do ano.
A retomada dos níveis anteriores não deve ocorrer nos próximos dois anos, prevê Fábio Silveira, economista da RC Consultores, comparando o atual momento ao anterior à crise, quando a indústria automobilística bateu recordes de produção e levou a capacidade de fabricação das montadoras ao limite. O investimento faz sentido a longo prazo, conclui.
Anfavea
De fato, a Anfavea (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) confirma que os investimentos visam ao longo prazo. Até 2013, a entidade prevê que o crescimento do mercado interno alçará o Brasil à quinta posição mundial em produção (atualmente o país ocupa a sexta).
Silveira afirma ainda que o otimismo deve ser encarado com certa parcimônia pelas montadoras: "O Brasil está na mira de montadoras asiáticas já presentes aqui e de novas, que vêm com dinheiro próprio. O mercado deve ficar mais concorrido, o que pode não justificar a expansão da produção".
A despeito da crise, as vendas de carros ficaram estáveis entre janeiro e maio de 2009 em relação ao mesmo período do ano passado: 1,1 milhão de unidades. Por outro lado, as exportações tiveram um decréscimo de 46%. Números razoáveis se comparados aos do comércio de caminhões, cujas vendas regrediram 19% e as exportações, 67%.